A dor de quem perdeu a mãe. “Ela estava bem um dia antes, ela mandou recado para mim um dia antes e de repente ‘vou intubar porque ela estava ansiosa’. Acabou o oxigênio na unidade. Ela teria uma chance se não tivesse sido intubada”, conta a assistente administrativa Kátia Santos. Inconformada, ela relata que o falecimento da mãe aconteceu por falta de oxigênio e negligência no atendimento da UPA de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Quando deu entrada na unidade, Alicia Silva Santos, de 76 anos, apresentava febre e estava com a saturação baixa, porém membros da equipe médica diziam que seu quadro era estável. “O que caracteriza um intubação é quando o paciente tem dificuldade para respirar e a sua mãe não está com essa dificuldade”, diziam os profissionais.

Ela conta que não podia ter acesso onde a paciente estava recebendo o tratamento, mas mostra foto tirada pela janela que a mãe estava bem e chegou a fazer o gesto de um coração com as mãos, no dia anterior a morte. “Estava a médica e uma enfermeira, estavam em duas, e ela me falou claramente que faltou oxigênio na unidade. Eu estava em choque na hora, depois que a ficha caiu e eu vi que houve três óbitos na noite, a minha mãe foi uma delas, pela falta do oxigênio”, conta. Somando as áreas de emergência, observação e consultórios, a Unidade de Pronto Atendimento chegou a ter 58 pacientes. Originalmente, tinha 30 leitos. No total, dez pacientes precisaram ser transferidos às pressas para outros hospitais, oficialmente como medida preventiva. Em nota, a secretaria municipal de saúde negou que os óbitos tenham ocorrido por falta de oxigênio e que em nenhum momento teria ficado sem o insumo.

*Com informações do repórter Daniel Lian