O autor do assassinato de três bebês menores de 2 anos e duas funcionárias durante o ataque a uma creche em Saudades, em Santa Catarina, foi denunciado na sexta-feira, 22, pelo Ministério Público. Segundo a promotoria, ele deve responder por cinco homicídios triplamente qualificados, além de 14 tentativas de homicídio, dos quais oito eram crianças. De acordo com a investigação, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, teria planejado o massacre por cerca de 10 meses. Nesse período, o acusado teria entrado em contato com “vários fornecedores” para comprar arma de fogo e também fez pesquisas sobre balestra e arco e flecha. Sem sucesso, o criminoso passou a avaliar a possibilidade de praticar o ataque com armas brancas.

Para o promotor de Justiça responsável pela denúncia, Douglas Dellazari, a motivação da chacina foi “repugnante e imoral”. “Esse objetivo dele de tentar matar o máximo de pessoas também se conecta à necessidade que ele tinha de ganhar um reconhecimento e uma fama pelos atos praticados dentro daquele meio em que ele viva. Dou um especial destaque à mensagem que ele coloca em um fórum da internet comentando sobre um homícidio em que houve uma vítima”, exemplifica Dellazari. Dados divulgados pela justiça também mostraram que Fabiano Kipper Mai pesquisou sobre outros crimes semelhantes, participava de fóruns digitais sobre violência e teria “idolatria por assassinos em série”. Ele também buscou na internet informações sobre o retorno às aulas presenciais em Santa Catarina e, na véspera do ataque, fez uma pesquisa específica em relação à creche Aquarela.

Questionado sobre o pedido de exame de sanidade mental solicitado pela defesa do autor do ataque, o promotor Douglas Dellazari argumentou que os passos dados antes dos crimes demonstrariam o oposto de insanidade. “Já foi feito esse requerimento logo após a prisão em flagrante do denunciado e foi prontamente indeferido pelo magistrado de primeira instância por inexistir elementos concretos que colocavam em dúvida a sanidade do denunciado. Ele tinha total controle, total discernimento e lucidez em relação aos atos que ele estava praticando, tanto que premeditou, planejou e idealizou esse massacre terrível”, argumenta o promotor. Agora, a Justiça deve analisar a denúncia e, se aceitar, Fabiano Kipper Mai responderá pelos homicídios e tentativas de homicídios por motivo torpe, cruel recurso que impediu ou dificultou a defesa das vítimas. O Ministério Público afirmou que “vai fazer todo o possível para alcançar o máximo de pena”, mas a decisão cabe ao judiciário.

*Com informações da repórter Letícia Santini