O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, refutou a fabricante da vacina contra Covid-19 Sputnik V após o laboratório dizer que processará a agência por difamação. O pronunciamento de Barra Torres foi feito durante coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 29. Nele, o diretor afirmou que, ao contrário do que o laboratório alega, a Anvisa não divulgou “informações falsas e imprecisas” sobre o imunizante produzido pela Rússia, e disse que acusação é grave e “impacta na confiança e na credibilidade da autoridade sanitária” do Brasil.  Barra Torres informou ainda que a ausência de “informações e estudos que retratem efeitos sobre células germinativas” está entre as “questões relevantes” que contribuíram para a não autorização da importação, que foi decidida por unanimidade na última segunda-feira, 26, e declarou que a Anvisa está aberta para receber novos dados sobre o imunizante.

O diretor de medicamentos da agência, Gustavo Mendes, também participou do comunicado, dizendo que a aprovação de uma vacina é norteada pela comprovação de segurança do imunizante. “O que norteia a análise técnica é que as vacinas precisam ser seguras. Uma vacina tem que proteger, não pode causar nenhum dano. Essa avaliação é feita com base em critérios técnicos que mostram que não há presença, por exemplo, de um adenovírus replicante numa vacina que diz que é de adenovírus não replicante”, destacou. Além disso, o diretor detalhou o processo de análise e declarou que o laboratório responsável pela fabricação do imunizante não respondeu questões feitas pela agência sobre a presença de um adenovírus replicante no produto.

Nesta quinta-feira, 29, os desenvolvedores da vacina contra a Covid-19, Sputnik V, afirmaram que irão processar a Anvisa por difamação. Em uma postagem feita nas redes sociais, o laboratório alega que a agência reguladora brasileira espalhou “informações falsas e imprecisas intencionalmente”. “Após a admissão do regulador brasileiro Anvisa de que não testou a vacina Sputnik V, a Sputnik V está iniciando um processo judicial de difamação no Brasil contra a Anvisa por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”, diz a publicação. Em outro tuíte, o laboratório afirma que a Anvisa desconsiderou um ofício emitido pelo Instituto Gamaleya sobre a ausência de um adenovírus no imunizante. “Anvisa fez declarações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina Sputnik V real. E desconsiderando ofício de Gamaleya Inst. que nenhum RCA está presente, e apenas vetores não replicantes são usados ​​com E1 deletado. Nossa equipe jurídica entrará em contato”.