O líquido que escorre do lixo: Como o chorume é tratado antes de contaminar o solo, segundo a Versa Engenharia Ambiental

Sofia Valenska
Sofia Valenska
Versa Engenharia Ambiental Ltda

Um aterro sanitário não produz apenas gás. À medida que o resíduo se decompõe, misturado à água da chuva que penetra as camadas de lixo, nasce um líquido escuro, de cheiro forte e composição extremamente variável. Conhecido como chorume, esse líquido carrega boa parte do risco ambiental que envolve a destinação final de resíduos sólidos, mesmo quando o restante do aterro segue todas as normas técnicas.

Especializada em engenharia ambiental e gestão de resíduos, a Versa Engenharia Ambiental está inserida nesse campo mais amplo da gestão de resíduos, do qual o tratamento de efluentes, como o chorume, faz parte. Entender o caminho desse líquido, da geração ao descarte final, ajuda a explicar por que tratá-lo corretamente é tão determinante quanto o próprio projeto do aterro.

O que é o chorume e de onde ele vem?

O chorume nasce da combinação entre a decomposição da matéria orgânica presente no lixo e a infiltração de água da chuva através das camadas de resíduo. O resultado é um líquido concentrado, carregado de compostos orgânicos, metais pesados e substâncias que variam conforme o tipo de material descartado no aterro.

Nenhum aterro produz um chorume idêntico ao de outro. A composição depende da idade do resíduo, do clima da região e até da proporção entre material orgânico e inorgânico recebido, o que torna cada estação de tratamento um projeto praticamente sob medida. Um aterro recém-aberto, por exemplo, costuma gerar um chorume mais concentrado do que um aterro já em fase final de operação, o que muda por completo as exigências do tratamento.

Por que o chorume é considerado um dos efluentes mais difíceis de tratar?

Diferente do esgoto doméstico, que segue um padrão relativamente previsível, o chorume muda de composição conforme o aterro envelhece e conforme chove mais ou menos naquele mês. A instabilidade na composição dificulta a criação de um processo único, capaz de funcionar sem ajustes constantes ao longo dos anos.

Versa Engenharia Ambiental Ltda
Versa Engenharia Ambiental Ltda

A Versa Ambiental considera que essa variabilidade é o que torna o chorume um dos efluentes mais difíceis de padronizar tecnicamente, mais do que a própria carga poluente em si. Tratar um líquido que muda de mês a mês exige monitoramento constante, não apenas uma estação instalada e esquecida no canto do aterro.

As etapas que o líquido percorre até o tratamento

Depois de coletado por sistemas de drenagem instalados sob as camadas de resíduo, o chorume segue para tanques ou lagoas impermeabilizadas, isoladas do solo ao redor. Ali, o tratamento biológico costuma ocorrer em sequência, passando por lagoas anaeróbicas, aeróbicas e de estabilização, cada uma responsável por reduzir uma parte específica da carga poluente antes de liberar o efluente para a etapa seguinte.

Segundo a leitura da Versa Engenharia Ambiental LTDA, cada etapa dessa sequência cumpre uma função específica, e pular uma delas compromete o resultado final antes mesmo de o líquido chegar à última lagoa. Só depois de passar por todo o processo o efluente atinge os padrões exigidos pela legislação ambiental para então ser descartado em corpos d’água ou reaproveitado.

O que está em jogo quando esse tratamento falha?

Um chorume descartado sem tratamento adequado infiltra no solo, alcança lençóis freáticos e pode contaminar cursos d’água usados por comunidades inteiras, muitas vezes a uma distância considerável do aterro que o gerou. O dano raramente aparece de imediato, o que faz muitos gestores subestimarem o risco até que o problema já esteja instalado e a remediação seja bem mais cara do que a prevenção teria custado.

Para a Versa Engenharia Ambiental, a diferença entre um aterro seguro e um aterro problemático não está apenas na existência de uma estação de tratamento, está na constância com que ela é operada e monitorada ao longo de toda a vida útil do empreendimento. Um sistema bem projetado que funciona de forma intermitente carrega o mesmo risco de um sistema que nunca existiu.

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