Victor Maciel, especialista em planejamento tributário e estratégia empresarial, explica que com frequência empresários chegam com uma queixa aparentemente contraditória: a empresa fatura bem, os relatórios mostram lucro, mas o caixa vive apertado. Para quem não está acostumado a olhar para dentro dos números com profundidade, esse cenário parece um paradoxo. Contudo, esse é um sintoma claro de uma gestão financeira desconectada da operação real. Margem e lucratividade não são a mesma coisa, e confundir os dois conceitos custa caro.
Faturamento alto não é sinônimo de empresa saudável
Uma empresa pode crescer em receita ano após ano e, ao mesmo tempo, deteriorar sua margem operacional. Isso acontece quando os custos crescem em ritmo maior que as receitas, quando a precificação não acompanha a pressão dos insumos, ou quando a estrutura tributária não foi revisada depois de uma mudança de porte ou de atividade.
Victor Maciel aponta que a carga tributária é um dos fatores que mais distorce a percepção de lucratividade nas empresas brasileiras: “O empresário vê o lucro contábil e acredita que está bem. Mas, quando a apuração tributária não está otimizada, parte relevante desse resultado já foi comprometida antes mesmo de o dinheiro entrar no caixa.”
O que a gestão tributária tem a ver com a margem da empresa?
Diretamente, o regime tributário adotado, a forma como os créditos são apropriados e o enquadramento das atividades da empresa interferem de forma concreta no custo real de cada operação. Por isso, uma empresa no Lucro Presumido que cresceu e alterou sua estrutura de despesas pode estar deixando de se beneficiar de deduções relevantes que o Lucro Real permitiria. O inverso também acontece.
Victor Maciel, CEO da VM Associados, trabalha com a premissa de que eficiência fiscal e performance financeira são faces da mesma moeda: “Quando o regime tributário está desalinhado com a realidade da empresa, a margem paga a conta desse desalinhamento todo mês. Não aparece como um custo visível, mas está lá.”

Como identificar se a margem está sendo consumida por ineficiência fiscal?
O ponto de partida é o diagnóstico tributário. Isso porque esse processo mapeia a estrutura fiscal atual da empresa, compara com alternativas aderentes à sua operação e quantifica o impacto de cada cenário na margem líquida. Não é uma análise pontual: é um instrumento de gestão que deveria ser revisado periodicamente, especialmente em momentos de crescimento, mudança de atividade ou expansão para novos mercados.
Para Victor Maciel, muitas empresas só chegam a esse diagnóstico depois de enfrentar uma crise de caixa: “O ideal é fazer esse exercício antes de precisar dele. Empresas que monitoram sua estrutura tributária de forma contínua tomam decisões de precificação e expansão com muito mais segurança.”
Recuperação tributária como alavanca de lucratividade
Parte da margem comprometida pode ser recuperada. Créditos de PIS e COFINS não aproveitados, recolhimentos indevidos de ICMS, tributação equivocada de determinadas receitas: esses valores, quando identificados dentro do prazo legal de cinco anos, podem ser restituídos ou compensados com tributos futuros, gerando impacto direto no caixa.
O consultor em gestão e resultados empresariais, Victor Maciel, destaca que a recuperação tributária não deve ser tratada como uma operação isolada: “O crédito recuperado precisa estar integrado ao planejamento financeiro da empresa. Do contrário, o ganho pontual não se transforma em melhoria estrutural de margem.”
Crescimento sustentável exige clareza sobre os números reais
Empresas que decidem expandir sem ter clareza sobre sua margem real assumem riscos que não conseguem dimensionar. Um novo mercado, uma nova linha de produto ou uma aquisição podem parecer atrativos na projeção e destruir valor na prática, se os custos tributários e operacionais não forem corretamente mapeados.
Victor Maciel reforça que crescimento estruturado começa pela compreensão honesta do que a empresa gera hoje: “Antes de crescer, é preciso saber de onde vem cada centavo de margem e o que está consumindo esse resultado sem aparecer de forma clara nos relatórios.”
Em suma, gestão financeira estratégica, eficiência fiscal e diagnóstico tributário contínuo não são pautas exclusivas de grandes corporações. São instrumentos de sobrevivência e crescimento para qualquer empresa que queira construir resultado real, e não apenas faturamento no papel.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
